
Recentemente precisando da ajuda de alguns amigos lembrei-me de tudo que ultimamente vem me tirando não só minutos como horas e horas de paz. Fiz um pedido a um amigo e, tenho certeza, era um pedido simples de ser atendido e que resultaria em grande felicidade pra uma outra pessoa.
Acho que dentro da bagagem pesada que se carrega em ser um " ser adulto" está de certa forma em ver o desprazer alheio. Atribuo aos adultos porque estes sentimentos individualistas são opostos ao que as crianças sentem. As crianças que estou falando são aquelas que têm esconderijo secreto com um amigo, uma música com letra trocada que só um outro amigo sabe, chama a amiga para espiar no buraco da fechadura para ver seus pais dormindo pelados. São amigas que prometem que sempre serão amigas mesmo que a vida as leve para lugares opostos, que juram que sempre vão voltar no bar do Alemão para tomar um Chicabom e que sofrem em saber, no fundo dos seus corações, que provavelmente nada disso vai acontecer. Elas já sabem que os adultos não dão importância pra romantismos infantes. Provavelmete porque os adultos já não têm tanto tempo pela frente. Os adultos já não têm porque prometer amizades para amanhã, eles precisam tirar das amizades o que elas podem lhes dar hoje. Por isso, tanto faz fazer ou não um outro amigo feliz por conceder-lhe um pedido. Este amigo realizado provavelmente lhe retribuíria com o que há de mais valioso e irônico, sua eterna amizade. Mas pra que? O que um adulto faz com algo eterno se ele não pára de ver o tempo correr com sua vida. Para um amigo adulto, amizade eterna deve lhe parecer um presente de grego.
Acho que é por isso que insisto em pular sapata cada vez que piso em uma calçada de pedras colocadas em uma, duas, uma, duas ( quem pula sapata entedeu ). Além de me sentir criança e lembrar de todas estas coisas que de verdade adultos não se lembram, é um jeito de chegar no Céu.

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